Verso e reverso
Bariloche é uma metáfora. Viajar é uma metáfora.
Esse deslumbramento com coisas que para muita gente poderia ser algo normal e corriqueiro na verdade revela um estado interior de querer ver o mundo com olhos gentis. Quantas experiências estamos dispostos a viver? Quantas paisagens aparentemente iguais, mas absolutamente diferentes podemos contemplar até nos cansarmos, achando inocentemente que já vimos de tudo?
Talvez seja tolice acreditar na “paisagem mais bonita do mundo” ou no “passeio mais incrível do planeta” (ou da galáxia, que seja!). Um espetáculo da natureza não faz sentido por si só. Aquela cena linda de cores cintilantes, tons espetaculares, reflexos, formas, cumes… só ganha sentido a partir do nosso olhar. E é preciso olhar com olhos gentis. Dar um rolê por aí te tira do cenário do dia a dia, te joga num outro palco para ter uma pequena chance de perceber o mundo, se olhar no espelho e não se reconhecer. Ter vontade de enfiar a cara lá dentro pra ver como é do outro lado.
Um poeminha de ultima hora para ajudar a entender:
(natureza falando): A poesia está em você / Meu pensamento está em você / Só em ti minhas formas tomam sentido / Eu existo e sou assim somente para perceber o que provoco no seu olhar / Você não pode me carregar, mas isso é desnecessário / Afinal, a poesia está em você / Eu estou em você / Meu pensamento está em você / Suas pegadas ficaram aqui no chão / Assim como os pensamentos e sua respiração.
A poesia está em você / Mas no final é só um pensamento / Na realidade não existe nada / Existe somente a realidade e o seu oposto, qualquer nome que ele tenha.